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Vamos falar sobre Cultura Maker

quinta-feira, 22 de março de 2018 por Vanessa Romankiv
Vamos falar sobre Cultura Maker

Vivemos na era da informação, onde é fácil descobrir como fazer as coisas com apenas um clique. Através de vídeos e tutoriais podemos aprender como construir as coisas sem sermos especialistas no assunto. Essa facilidade está fazendo com que milhares de pessoas criem objetos e executem seus projetos de forma simples e rápida, e devemos tudo isso a Cultura Maker, que incentiva qualquer pessoa a “colocar a mão na massa” e fazer acontecer.

A cultura maker surgiu na década de 70 com a revolução do PC (computador pessoal) , mas foi na década de 2000, com o surgimento da Maker Magazine (revista focada na cultura maker - publica projetos que envolvem computadores, eletrônica, robótica e outras áreas) e o lançamento da Maker Faire (maior feira maker do mundo) que a cultura começou a ganhar força e se popularizar.

A cultura maker é uma extensão tecnológica (porque se apropria de ferramentas como impressoras 3D, cortadoras a laser, kits de robótica, etc) da cultura faça você mesmo (Do It Yourself ou DIY) e tem como objetivo mostrar que qualquer pessoa pode construir, consertar, modificar e fabricar os mais diversos tipos de objetos e projetos com suas próprias mãos.

Permite estimular a criatividade reproduzindo na prática uma ideia ou resolução de um problema. Um exemplo bem simples e prático: eu vou viajar e ficar um tempo fora, tenho algumas plantas em casa mas não tem ninguém que possa regá-las. Para resolver isso eu posso comprar um arduino (vamos falar sobre o arduíno em outro artigo), um sensor de umidade de solo e monitorar a minha planta para que, quando o solo estiver seco, eu possa regar a planta por meio do celular (utilizando o conceito de internet das coisas).

Muitas pessoas adoram esse projeto, mas pensam que é muito difícil fazer porque exige conhecimentos de eletrônica e programação. Mas eu afirmo que não. Um dos valores da cultura maker é o compartilhamento de informações. Existem milhares de sites que disponibilizam o passo a passo do projeto mencionado acima e, caso tenha dúvida, você pode interagir com a pessoal que escreveu e disponibilizou o projeto; ou seja, você não precisa ser especialista em nada, vai aprender fazendo.

A cultura maker tem um manifesto (The Maker Movement Manifest, autor Mark Hatch) que destaca alguns pontos do que é ser um maker e mostra que a cultura vai muito além do fazer e que devemos compartilhar, aprender e apoiar outras iniciativas. Abaixo podem ser vistos os 9 valores destacados no manifesto:

1. Fazer: Precisamos fazer e nos expressar de alguma forma para nos sentirmos completos e explorar todo o nosso potencial;

2. Compartilhar: Compartilhar o que você fez é a maneira de completar o significado do que é ser um maker;

3. Dar: Além de compartilhar você tem que dar o que você fez, quando você faz algo, coloca uma pequena parte sua no objeto e dar esse objeto para alguém é como dar um pedaço de si mesmo;

4. Aprender: Você deve aprender a fazer, aprender sobre novas técnicas que envolvam materiais e processos;

5. Ter as ferramentas certas: Adquirir e utilizar as ferramentas certas para executar o projeto é essencial, ainda mais hoje quando as mesmas são baratas e fáceis de usar;

6. Brincar ou experimentar: No momento que você brinca ou experimenta você está estimulando a sua criatividade e fazendo isso irá se surpreender e se empolgar com as suas descobertas;

7. Participar: Participar de eventos, workshops e espaços que fomentam a cultura maker ajuda a trazer conexões e network importantes;

8. Apoiar: Como qualquer iniciativa a cultura maker também precisa de apoio — seja ele financeiro ou intelectual.

9. Mudar: Mark sugere que você abrace a mudança que irá ocorrer naturalmente na sua jornada maker, o autor sugere que qualquer um mude o manifesto inteiro caso queira, pois só assim as coisas irão evoluir.

Muitas pessoas me fazem justamente a pergunta do que é ser um maker e eu respondo com os valores acima, complementando que ser maker é explorar sua criatividade para resolver problemas do dia a dia com tecnologia e que qualquer pessoa pode“fazer” tecnologia nos dias atuais. São vários os motivos que tornam isso possível:

1 - os sensores, componentes e placas como arduíno estão mais baratos. Podemos comprar esses componentes em sites especializados aqui no Brasil ou na China, e isso possibilitou a popularização da plataforma arduíno;

2- podemos pesquisar e fazer qualquer projeto devido ao compartilhamento dos mesmos na internet (sites como www.instructables.com, www.filipeflop.com/blog/, www.embarcados.com.br, blog.fazedores.com/disponibilizam centenas de projetos);

3 – temos uma comunidade maker imensa, que adora ajudar e está disposta a compartilhar informações.

Cultura Maker no Brasil

O Brasil também fomenta e contribui com a cultura maker. Em 2015 o maker Manoel Lemos
(reponsável pelo fazedores.com.br) disponibilizou um gráfico que mostra o crescimento da cultura maker aqui no país de 2009 até 20015.